PAN - UM NOVO PARADIGMA

Vivemos o fim de ciclo de um paradigma civilizacional esgotado, o paradigma antropocêntrico, cuja exacerbação nos últimos séculos aumentou a devastação do planeta, a perda da biodiversidade e o sofrimento de homens e animais. Impõe-se um novo paradigma, uma nova visão/vivência da realidade, ideias, valores e símbolos que sejam a matriz de uma nova cultura e de uma metamorfose mental que se expresse em todas as esferas da actividade humana, religiosa, ética, científica, filosófica, artística, pedagógica, social, económica e política. Esse paradigma, intemporal e novíssimo, a descobrir e recriar, passa pela experiência da realidade como uma totalidade orgânica e complexa, onde todos os seres e ecossistemas são interdependentes, não podendo pensar-se o bem de uns em detrimento de outros e da harmonia global. Nesta visão holística da Vida, o ser humano não perde a sua especificidade, mas, em vez de se assumir como o dono do mundo, torna-se responsável pelo equilíbrio ecológico do planeta e pelo direito de todos os seres vivos à vida e ao bem-estar.

Herdando a palavra grega para designar o "Todo", bem como o nome do deus da natureza e dos animais, o PAN - Partido pelos Animais e pela Natureza - incarna esse paradigma na sociedade e na política portuguesas.

O objectivo deste blogue é divulgar e fomentar o debate em torno de contributos diversos, contemporâneos e de todos os tempos, para a formulação deste novo paradigma, nas letras, nas artes e nas ciências.

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domingo, 12 de janeiro de 2014

"Além do amor e da simpatia, os animais possuem outras qualidades que no ser humano consideramos como qualidades morais”


“O capitão Stansbury encontrou, sobre as margens de um lago salgado do Utah, um pelicano velho e completamente cego que era muito gordo e que tinha de ser nutrido desde há muito pelos seus companheiros. M. Blyth informa-me que viu corvos indianos alimentar dois ou três dos seus companheiros cegos e eu tive conhecimento de um facto análogo observado num galo doméstico. Eu próprio vi um cão que jamais passava ao lado de um dos seus grandes amigos, um gato doente numa cesta, sem o lamber ao passar, o sinal mais certo de um bom sentimento no cão. […] Além do amor e da simpatia, os animais possuem outras qualidades que no ser humano consideramos como qualidades morais”

- Charles Darwin, A descendência do homem e a selecção sexual, 1891.

sábado, 10 de agosto de 2013

"Olhe no fundo dos olhos de um animal..."

"Olhe no fundo dos olhos de um animal e, por um momento, troque de lugar com ele. A vida dele tornar-se-á tão preciosa quanto a sua e você tornar-se-á tão vulnerável quanto ele. Agora sorria, se acredita que todos os animais merecem nosso respeito e nossa protecção, pois em determinado ponto eles são nós e nós somos eles"

- Philip Ochoa

sábado, 3 de agosto de 2013

"Morte morrida, sim, morte matada, não!"


Um depoimento da escritora e poeta Fernanda de Castro sobre o seu filho, o escritor e ensaísta António Quadros:

"Um dia, quando tinha quatro ou cinco anos, entrou na cozinha. Apesar das minhas recomendações, a Maria do Porto estava completamente proibida de matar fosse o que fosse em casa. Mas teimosa como era, um dia comprou uma galinha viva e matou-a em cima da mesa da cozinha no momento exacto em que o António entrou. Quando viu a galinha a espernear e a mesa coberta de sangue, teve um choque tão grande que, aos gritos e desfeito em lágrimas, se agarrou às saias da Maria, dando-lhe murros nas pernas com as suas mãozinhas crispadas. Eu peguei nele ao colo, levei-o para o quarto e comecei a dizer coisas à toa, coisas sem sentido que não serviam para nada, pois, de facto, não sabia verdadeiramente como fazê-lo compreender e aceitar aquela atrocidade. A certa altura, como supremo argumento, disse-lhe que a galinha estava muito velha, muito doente e que mesmo as pessoas quando estão muito velhas e muito doentes têm de morrer. Ele então olhou-me com os seus grandes olhos azuis marejados de lágrimas: - Morte morrida, sim, morte matada, não!"

- Fernanda de Castro, Ao Fim da Memória, vol. I, pág. 279.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

"Quando aprendermos a ser compassivos para todos os animais, isso incluirá a Humanidade. A compaixão facilmente atravessa a fronteira das espécies"

‎"Algumas pessoas perguntam: "Porque é que está a trabalhar para os animais, quando há tantas pessoas que precisam de ajuda?" A resposta é simples: Muitas pessoas que trabalham para os animais pelo mundo fora também trabalham altruistamente para as pessoas. Gostar de animais não significa gostar menos dos humanos. A compaixão origina compaixão.

- Marc Bekoff

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Fernando Pessoa, o homem e os animais

"Não há critério seguro para distinguir o homem dos animais"

- Bernardo Soares

"O homem não sabe mais que os outros animais; sabe menos. Eles sabem o que precisam saber. Nós não"

- Fernando Pessoa

Em homenagem ao Poeta, que partiu em 30 de Novembro de 1935 para regressar em todo o planeta.

domingo, 18 de novembro de 2012

Estranhas pessoas...

Estranhas pessoas que defendem os animais sem defenderem os homens e a natureza. Estranhas pessoas que defendem os homens sem defenderem os animais e a natureza. Estranhas pessoas que defendem a natureza sem defenderem os homens e os animais.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

"Não podemos amar Deus e ser indiferentes às criaturas que sofrem"

“As tradições religiosas cristãs sustentam que Jesus teve tanto atributos divinos como humanos. No vernáculo comum (sexista), Jesus foi não só Deus mas também homem (humano). Ser humano é ser animal, mamífero, primata. […] O Evangelho, tal como exemplificado em Jesus Cristo, trata do serviço aos doentes, pobres, desfavorecidos, encarcerados e a todos os outros que são considerados como os mais inferiores de todos, e não menos a todo o mundo de criaturas não-humanas sofredoras… Não podemos amar Deus e ser indiferentes às criaturas que sofrem (Linzey, Animal Gospel, 94)” - Lisa Kemmerer, Animals and World Religions, Oxford University Press, 2012, pp.208 e 210.

quarta-feira, 14 de março de 2012

"Creio que poderia transformar-me e viver com os animais"



"Creio que poderia transformar-me e viver com os animais,

eles são tão calmos e donos de si.

Detenho-me para contemplá-los sem parar.

Eles não anseiam nem se queixam da própria condição,

Eles não passam a noite em claro, remoendo as suas culpas,

Nem me aborrecem falando de sua obrigações para com Deus,

Nenhum deles se mostra insatisfeito,

nenhum deles se acha dominado pela mania de possuir coisas,

Nenhum deles fica de joelhos diante de outro,

nem diante da recordação de outros da mesma espécie que viveram há milhares de anos,

Nenhum deles é respeitável ou desgraçado em todo o mundo"

- Walt Whitman

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

"Os animais do mundo existem para os seus próprios propósitos. Não foram feitos para os seres humanos..."



"Os animais do mundo existem para os seus próprios propósitos. Não foram feitos para os seres humanos, do mesmo modo que os negros não foram feitos para os brancos, nem as mulheres para os homens"
- Alice Walker

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

"Os que são sanguinários com os bichos, revelam uma natureza propensa à crueldade"



“Quanto a mim, nunca pude sequer ver perseguirem e matarem um inocente animal, sem defesa, e do qual nada temos a recear, como é o caso da caça ao veado, o qual, quando sem fôlego e sem forças, e sem mais possibilidade de fuga, se rende e como que implora o nosso perdão com lágrimas nos olhos: “gemendo, ensanguentado, pede misericórdia” [Virgílio]. Um tal espectáculo sempre me pareceu muito desagradável.
Se apanho algum animal vivo, dou-lhe liberdade. O mesmo fazia Pitágoras que comprava peixes e pássaros para os soltar: “Foi, creio, como o sangue dos animais que o ferro se tingiu pela primeira vez” [Ovídio]. Os que são sanguinários com os bichos, revelam uma natureza propensa à crueldade. Quando se acostumaram em Roma com os espectáculos de matanças de animais, passaram aos homens e aos gladiadores.”

- Michel de Montaigne, Ensaios, Livro segundo, Capítulo XI, "Da crueldade"

domingo, 6 de novembro de 2011

“Há uma espécie de respeito e um dever no homem como género que nos liga não apenas aos animais, [...] mas até às árvores e plantas"





“Há uma espécie de respeito e um dever no homem como género que nos liga não apenas aos animais, que têm vida e sentimentos, mas até às árvores e plantas. Devemos justiça aos homens: e, às outras criaturas capazes de as receber, devemos doçura e bondade. Entre elas e nós há alguma espécie de relação e um grau de obrigação mútua”



– Michel de Montaigne (1533-1592).

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

"Eu recuso-me a comer animais porque não posso alimentar-me do sofrimento e da morte de outras criaturas"



Eu recuso-me a comer animais porque não posso alimentar-me do sofrimento e da morte de outras criaturas.
Recuso-me a fazer isto porque eu mesmo sofri tão dolorosamente que consigo sentir as dores dos outros pela lembrança dos meus próprios sofrimentos.
Eu sou feliz, ninguém me persegue; porque deveria eu perseguir outros seres ou causar-lhes sofrimento?
Eu sou feliz, não sou um prisioneiro; porque devo eu transformar outras criaturas em prisioneiros e lançá-las em jaulas?
Eu sou feliz, ninguém me está a magoar; porque deveria eu magoar os outros ou permitir que sejam magoados?
Eu sou feliz, ninguém me maltrata; ninguém me vai matar; porque deveria eu maltratar ou matar outras criaturas ou permitir que sejam maltratadas ou mortas para meu prazer e conveniência?

Não é natural que eu não inflija a outras criaturas a mesma coisa que eu espero que nunca me seja imposta? E que temo que o seja?
Não é a coisa mais injusta fazer estas coisas aos outros sem nenhum propósito além do gozo deste insignificante prazer físico, à custa de mortes e tormentos?
Estes seres são menores e mais desprotegidos do que eu, mas você pode imaginar um homem racional, de sentimentos nobres, que se baseasse nestas diferenças para afirmar o direito de abusar da fraqueza ou da inferioridade de outros?

Você não acha que é justamente o dever do maior, do mais forte, do superior, proteger a criatura mais fraca ao invés de a matar?

- Edgar Kupfer-Koberwitz (escritor, Polónia, 1906-1991; escrito no campo de concentração de Dachau).

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Para recordar, hoje, Dia Mundial do Animal: "No momento, o nosso mundo de humanos é baseado no sofrimento e na destruição de milhões de não-humanos"




"No momento, o nosso mundo de humanos é baseado no sofrimento e na destruição de milhões de não-humanos. Aperceber-se disso e fazer algo para mudar essa situação,
por meios pessoais e públicos, requer uma mudança de percepção,
equivalente a uma conversão religiosa.
Nada poderá jamais ser visto da mesma maneira, pois uma vez reconhecido o terror e a dor de outras espécies, você irá, a menos que resista à conversão, ter consciência das permutações de sofrimento interminável em que se apoia a nossa sociedade."

- Arthur Conan Doyle (escritor, médico, 1859-1930)

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Por que é que o sofrimento dos animais me comove tanto?


(Zola fotografado por Félix Nadar)

"Porque é que o sofrimento dos animais me comove tanto? Porque fazem parte da mesma comunidade a que pertenço, da mesma forma que os meus próprios semelhantes"

- Émile Zola (escritor, 1840-1902)

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

"Nós sabemos o que os animais fazem..."

"Nós sabemos o que os animais fazem, quais são as necessidades do castor, do urso, do salmão e das outras criaturas, porque, outrora, os homens casavam-se com eles e adquiriram este saber das suas esposas animais (...). Os Brancos viveram pouco tempo neste país e não conhecem grande coisa a respeito dos animais; nós, nós estamos aqui desde há milhares de anos e há muito tempo que os próprios animais nos instruíram. Os Brancos anotam tudo num livro, para não esquecer; mas os nossos ancestrais desposaram os animais, aprenderam todos os seus usos e fizeram passar estes conhecimentos de gerações em gerações" - declarações dos Índios a um antropólogo canadiano citadas por Claude Lévi-Strauss, em "La Pensée Sauvage".

quinta-feira, 31 de março de 2011

"Nenhuma força na terra pode parar uma ideia cuja hora chegou" - Victor Hugo

Chegou a Hora de serem reconhecidos os direitos dos animais e da natureza e de se inventar um mundo melhor para todos.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

"As vidas humanas decorrem na mesma íntima inconsciência que as vidas dos animais."

Muitos têm definido o homem, e em geral o têm definido em contraste com os animais. Por isso, nas definições do homem, é frequente o uso da frase «o homem é um animal...» e um adjectivo, ou «o homem é um animal que...» e diz-se o quê. «O homem é um animal doente», disse Rousseau, e em parte é verdade. «O homem é um animal que usa ferramenta», diz Carlyle, e em parte é verdade. Mas estas definições, e outras como elas, são sempre imperfeitas e laterais. E a razão é muito simples: não é fácil distinguir o homem dos animais, não há critério seguro para distinguir o homem dos animais. As vidas humanas decorrem na mesma íntima inconsciência que as vidas dos animais. As mesmas leis profundas, que regem de fora os instintos dos animais, regem, também, de fora, a inteligência do homem, que parece não ser mais que um instinto em formação, tão inconsciente como todo o instinto, menos perfeito porque ainda não formado.

Fernando Pessoa, O Livro do Desassossego, Biblioteca Visão, p.102