"Não há critério seguro para distinguir o homem dos animais"
- Bernardo Soares
"O homem não sabe mais que os outros animais; sabe menos. Eles sabem o que precisam saber. Nós não"
- Fernando Pessoa
Em homenagem ao Poeta, que partiu em 30 de Novembro de 1935 para regressar em todo o planeta.
PAN - UM NOVO PARADIGMA
Vivemos o fim de ciclo de um paradigma civilizacional esgotado, o paradigma antropocêntrico, cuja exacerbação nos últimos séculos aumentou a devastação do planeta, a perda da biodiversidade e o sofrimento de homens e animais. Impõe-se um novo paradigma, uma nova visão/vivência da realidade, ideias, valores e símbolos que sejam a matriz de uma nova cultura e de uma metamorfose mental que se expresse em todas as esferas da actividade humana, religiosa, ética, científica, filosófica, artística, pedagógica, social, económica e política. Esse paradigma, intemporal e novíssimo, a descobrir e recriar, passa pela experiência da realidade como uma totalidade orgânica e complexa, onde todos os seres e ecossistemas são interdependentes, não podendo pensar-se o bem de uns em detrimento de outros e da harmonia global. Nesta visão holística da Vida, o ser humano não perde a sua especificidade, mas, em vez de se assumir como o dono do mundo, torna-se responsável pelo equilíbrio ecológico do planeta e pelo direito de todos os seres vivos à vida e ao bem-estar.
Herdando a palavra grega para designar o "Todo", bem como o nome do deus da natureza e dos animais, o PAN - Partido pelos Animais e pela Natureza - incarna esse paradigma na sociedade e na política portuguesas.
O objectivo deste blogue é divulgar e fomentar o debate em torno de contributos diversos, contemporâneos e de todos os tempos, para a formulação deste novo paradigma, nas letras, nas artes e nas ciências.
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sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Fernando Pessoa, o homem e os animais
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Marc Chagall, um pintor da fusão entre o animal e o homem
domingo, 22 de janeiro de 2012
"O homem não sabe mais que os outros animais; sabe menos. Eles sabem o que precisam saber. Nós não"
domingo, 30 de outubro de 2011
O homem, esse recém-chegado que tudo perturba e destrói...

"Se se reconduz a idade do Universo a um dia de vinte e quatro horas, a presença do homem manifesta-se nos cinco últimos segundos e a explosão técnica e demográfica ocupa o último centésimo de segundo"
- André Lebeau, "L'enfermement planétaire", Paris, Gallimard, 2008, p.368.
É como se o homem fosse um recém-chegado à festa da vida que de repente imagina que a festa foi organizada para ele e que tem o direito de fazer o que quiser da casa, dos seus recursos e dos outros convidados, pondo-os ao seu serviço, explorando-os e destruindo-os a seu bel-prazer... O que faríamos com alguém que chegasse a nossa casa e se comportasse assim?
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domingo, 19 de junho de 2011
O homem, uma anomalia destrutiva?
"O homem adquiriu agora um tal domínio sobre o mundo material e um tal poder de aumentar em número que é provável que toda a superfície da terra seja invadida por esta anomalia, até à aniquilação de cada uma das belas e maravilhosas variedades de seres animados"
- Charles Darwin.
- Charles Darwin.
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quinta-feira, 16 de junho de 2011
Passar de uma política antropocêntrica a uma política ecológica e cosmocêntrica
Um dos grandes desafios do presente, para que haja futuro para a humanidade na Terra, é passar de uma política antropocêntrica a uma política ecológica e cosmocêntrica. Isso implica uma metamorfose radical da teoria e prática política, que desde Aristóteles até hoje gravita em torno do homem. Na verdade implica uma mutação radical do próprio homem, que só pode sobreviver descentrado de si, num novo paradigma holístico. Cabe hoje aos mais conscientes anteciparem essa nova política, entre Céu e Terra, enquanto a velha política definha em tiranias, democracias de fachada e abstenções massivas.
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quarta-feira, 15 de junho de 2011
O mito fundamental da nossa cultura
O mito fundamental da nossa cultura, que tem como complemento o mito de se haver libertado de mitos: o universo surgiu para que nele surgisse a vida que evoluiu para que no planeta Terra surgisse o homem que evoluiu para se tornar o dono e senhor da Terra, de todos os seres e um dia de todo o universo. O mito em que acreditam todos os que crêem não acreditar em mitos. O mito cuja encenação é a actual civilização. O problema é que esta encenação está a destruir o palco, os actores e a si própria...
Sugestão de leitura: Daniel Quinn, "Ismael. Como o mundo veio a ser o que é", Porto, Via Óptima, 2011, 3. edição.
Sugestão de leitura: Daniel Quinn, "Ismael. Como o mundo veio a ser o que é", Porto, Via Óptima, 2011, 3. edição.
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segunda-feira, 4 de abril de 2011
A mitologia da superioridade humana

"As pessoas da tua cultura agarram-se com uma tenacidade fanática à ideia de que o homem é especial. Querem desesperadamente perceber um imenso abismo entre o homem e o resto da criação. Esta mitologia da superioridade humana justifica que façam o que muito bem entendam com o mundo, assim como a mitologia da superioridade ariana de Hitler justificou que fizesse ele o que muito bem entendeu com a Europa"
- Daniel Quinn, Ismael. Como o mundo veio a ser o que é, Porto, Via Óptima, 2001, p.118.
A superior possibilidade do homem pode ser a de estar ao serviço do bem dos outros seres, não a de se servir deles...
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domingo, 20 de fevereiro de 2011
"As vidas humanas decorrem na mesma íntima inconsciência que as vidas dos animais."
Muitos têm definido o homem, e em geral o têm definido em contraste com os animais. Por isso, nas definições do homem, é frequente o uso da frase «o homem é um animal...» e um adjectivo, ou «o homem é um animal que...» e diz-se o quê. «O homem é um animal doente», disse Rousseau, e em parte é verdade. «O homem é um animal que usa ferramenta», diz Carlyle, e em parte é verdade. Mas estas definições, e outras como elas, são sempre imperfeitas e laterais. E a razão é muito simples: não é fácil distinguir o homem dos animais, não há critério seguro para distinguir o homem dos animais. As vidas humanas decorrem na mesma íntima inconsciência que as vidas dos animais. As mesmas leis profundas, que regem de fora os instintos dos animais, regem, também, de fora, a inteligência do homem, que parece não ser mais que um instinto em formação, tão inconsciente como todo o instinto, menos perfeito porque ainda não formado.
Fernando Pessoa, O Livro do Desassossego, Biblioteca Visão, p.102
Fernando Pessoa, O Livro do Desassossego, Biblioteca Visão, p.102
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
"O maior fracasso do homem" são as suas relações com os animais

"A verdadeira bondade do homem só pode manifestar-se em toda a sua pureza e em toda a sua liberdade com aqueles que não representam força nenhuma. O verdadeiro teste moral da humanidade (o teste mais radical, aquele que por se situar a um nível tão profundo nos escapa ao olhar) são as suas relações com quem se encontra à sua mercê: isto é, com os animais. E foi aí que se deu o maior fracasso do homem, o desaire fundamental que está na origem de todos os outros"
- Milan Kundera, A Insustentável Leveza do Ser, tradução de Joana Varela, Lisboa, Dom Quixote, 2000, p.329.
sábado, 22 de janeiro de 2011
Conviver com os animais e a natureza segundo Anselmo Borges
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1763447&seccao=anselmo%20borges&tag=opini%e3o%20-%20em%20foco&page=-1
Artigo do Padre e Professor Anselmo Borges, hoje no "Diário de Notícias", que deve ser objecto da nossa reflexão crítica.
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