“O princípio básico da moral que é uma necessidade de pensamento significa, contudo, não apenas uma ordenação e um aprofundamento, mas também uma ampliação das visões correntes do bem e do mal. Um homem apenas é autenticamente ético quando obedece à compulsão para ajudar toda a vida que for capaz de auxiliar e foge a ofender o quer que seja que viva. Ele não pergunta até que ponto esta ou aquela vida merece a nossa simpatia como sendo valiosa, nem, para além disso, se e até que grau é capaz de sentir. A vida como tal é para ele sagrada. Ele não arranca nenhuma folha de uma árvore, não colhe nenhuma flor e presta atenção a não esmagar nenhum insecto. Se no Verão trabalha à luz da vela, prefere manter a janela fechada e respirar uma atmosfera abafada do que ver um insecto após outro cair com asas queimadas sobre a sua mesa.
Se caminha pela estrada após um duche e vê uma minhoca que se extraviou, ele pensa para consigo mesmo que ela vai secar ao sol se não regressar suficientemente cedo a um solo que possa escavar e por isso levanta-a da mortal superfície de pedra e coloca-a na relva. Se se depara com um insecto que caiu num charco, pára um momento para lhe estender uma folha ou uma haste no qual ele se possa salvar a si mesmo.
Ele não tem medo de que dele riam por ser sentimental. É o destino de toda a verdade ser objecto de riso até ser geralmente reconhecida. Outrora foi considerado loucura assumir que homens de cor eram realmente homens e deviam ser tratados como tais, mas a loucura tornou-se uma verdade aceite. Hoje pensa-se estar-se a ir demasiado longe ao declarar que a atenção constante a tudo o que vive, até às manifestações mais ínfimas da vida, é uma exigência feita pela ética racional. Está contudo a chegar o momento em que as pessoas se espantarão por a humanidade ter necessitado de tanto tempo para aprender a considerar a ofensa irreflectida à vida como incompatível com a ética.
A ética é a responsabilidade sem limites por tudo o que vive”
- Albert Schweitzer, The Philosophy of Civilization, New York, Prometheus Books, 1987, pp.310-311.
PAN - UM NOVO PARADIGMA
Vivemos o fim de ciclo de um paradigma civilizacional esgotado, o paradigma antropocêntrico, cuja exacerbação nos últimos séculos aumentou a devastação do planeta, a perda da biodiversidade e o sofrimento de homens e animais. Impõe-se um novo paradigma, uma nova visão/vivência da realidade, ideias, valores e símbolos que sejam a matriz de uma nova cultura e de uma metamorfose mental que se expresse em todas as esferas da actividade humana, religiosa, ética, científica, filosófica, artística, pedagógica, social, económica e política. Esse paradigma, intemporal e novíssimo, a descobrir e recriar, passa pela experiência da realidade como uma totalidade orgânica e complexa, onde todos os seres e ecossistemas são interdependentes, não podendo pensar-se o bem de uns em detrimento de outros e da harmonia global. Nesta visão holística da Vida, o ser humano não perde a sua especificidade, mas, em vez de se assumir como o dono do mundo, torna-se responsável pelo equilíbrio ecológico do planeta e pelo direito de todos os seres vivos à vida e ao bem-estar.
Herdando a palavra grega para designar o "Todo", bem como o nome do deus da natureza e dos animais, o PAN - Partido pelos Animais e pela Natureza - incarna esse paradigma na sociedade e na política portuguesas.
O objectivo deste blogue é divulgar e fomentar o debate em torno de contributos diversos, contemporâneos e de todos os tempos, para a formulação deste novo paradigma, nas letras, nas artes e nas ciências.
Herdando a palavra grega para designar o "Todo", bem como o nome do deus da natureza e dos animais, o PAN - Partido pelos Animais e pela Natureza - incarna esse paradigma na sociedade e na política portuguesas.
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quinta-feira, 21 de junho de 2012
"A ética é a responsabilidade sem limites por tudo o que vive”
“O princípio básico da moral que é uma necessidade de pensamento significa, contudo, não apenas uma ordenação e um aprofundamento, mas também uma ampliação das visões correntes do bem e do mal. Um homem apenas é autenticamente ético quando obedece à compulsão para ajudar toda a vida que for capaz de auxiliar e foge a ofender o quer que seja que viva. Ele não pergunta até que ponto esta ou aquela vida merece a nossa simpatia como sendo valiosa, nem, para além disso, se e até que grau é capaz de sentir. A vida como tal é para ele sagrada. Ele não arranca nenhuma folha de uma árvore, não colhe nenhuma flor e presta atenção a não esmagar nenhum insecto. Se no Verão trabalha à luz da vela, prefere manter a janela fechada e respirar uma atmosfera abafada do que ver um insecto após outro cair com asas queimadas sobre a sua mesa.
Se caminha pela estrada após um duche e vê uma minhoca que se extraviou, ele pensa para consigo mesmo que ela vai secar ao sol se não regressar suficientemente cedo a um solo que possa escavar e por isso levanta-a da mortal superfície de pedra e coloca-a na relva. Se se depara com um insecto que caiu num charco, pára um momento para lhe estender uma folha ou uma haste no qual ele se possa salvar a si mesmo.
Ele não tem medo de que dele riam por ser sentimental. É o destino de toda a verdade ser objecto de riso até ser geralmente reconhecida. Outrora foi considerado loucura assumir que homens de cor eram realmente homens e deviam ser tratados como tais, mas a loucura tornou-se uma verdade aceite. Hoje pensa-se estar-se a ir demasiado longe ao declarar que a atenção constante a tudo o que vive, até às manifestações mais ínfimas da vida, é uma exigência feita pela ética racional. Está contudo a chegar o momento em que as pessoas se espantarão por a humanidade ter necessitado de tanto tempo para aprender a considerar a ofensa irreflectida à vida como incompatível com a ética.
A ética é a responsabilidade sem limites por tudo o que vive”
- Albert Schweitzer, The Philosophy of Civilization, New York, Prometheus Books, 1987, pp.310-311.
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terça-feira, 1 de março de 2011
"A ética é a responsabilidade por tudo quanto vive, estendida além de todos os limites"

"O homem só é verdadeiramente ético quando obedece a necessidade de ajudar a toda vida a que pode ajudar e se envergonha de causar dano a todo e qualquer ser vivo. Ele não se pergunta até onde esta ou aquela vida tem valor para merecer participação, nem se, ou até onde, ela ainda é capaz de sentir. Para ele a vida em si é santa. Não arranca nenhuma folha das árvores, não quebra uma flor, e toma cuidado para não pisar nenhum inseto. Quando no verão trabalha à noite à luz da lâmpada, prefere manter a janela fechada e respirar um ar pesado a ver os insetos caírem um após o outro na sua mesa com as asas chamuscadas.
Quando após a chuva caminha pela estrada e vê a minhoca que se extraviou, ele se lembra de que ela terá que secar ao sol se não tiver tempo de encontrar terra em que possa esconder-se, e retira-a da pedra mortífera para a grama. Quando passa por um inseto que caiu numa poça, ele trata de estender-lhe uma folha ou um talo a fim de o salvar
Não teme que zombem dele como sentimental. É este o destino de toda a verdade, que antes de ser reconhecida ela seja objeto de riso. Antes passava por loucura admitir que os homens de cor seriam verdadeiros homens, e que teriam que ser tratados humanamente. A loucura passou a ser sabedoria. Hoje é considerado como um exagero estender até suas formas ínfimas a contínua atenção a todo ser vivo, como uma exigência da ética racional. Mas há de chegar o dia em que se há de julgar estranho que a humanidade tenha precisado tanto tempo para entender o dano inconsiderado à vida como incompatível com a ética.
A ética é a responsabilidade por tudo quanto vive, estendida além de todos os limites"
- Albert Schweitzer, A ética da veneração diante da vida (1955), in Leonardo Boff (com a colaboração de Werner Müller), Princípio de Compaixão e Cuidado. O encontro entre Ocidente e Oriente, Petrópolis, Vozes, 2000, pp.88-89.
domingo, 2 de janeiro de 2011
A compaixão só será plena quando for universal

"A compaixão, onde toda a ética deve criar raízes, só pode atingir a sua plenitude se abraçar todos os seres vivos e não se limitar à raça humana"
- Albert Schweitzer (1875-1965), Prémio Nobel da Paz em 1952
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