PAN - UM NOVO PARADIGMA

Vivemos o fim de ciclo de um paradigma civilizacional esgotado, o paradigma antropocêntrico, cuja exacerbação nos últimos séculos aumentou a devastação do planeta, a perda da biodiversidade e o sofrimento de homens e animais. Impõe-se um novo paradigma, uma nova visão/vivência da realidade, ideias, valores e símbolos que sejam a matriz de uma nova cultura e de uma metamorfose mental que se expresse em todas as esferas da actividade humana, religiosa, ética, científica, filosófica, artística, pedagógica, social, económica e política. Esse paradigma, intemporal e novíssimo, a descobrir e recriar, passa pela experiência da realidade como uma totalidade orgânica e complexa, onde todos os seres e ecossistemas são interdependentes, não podendo pensar-se o bem de uns em detrimento de outros e da harmonia global. Nesta visão holística da Vida, o ser humano não perde a sua especificidade, mas, em vez de se assumir como o dono do mundo, torna-se responsável pelo equilíbrio ecológico do planeta e pelo direito de todos os seres vivos à vida e ao bem-estar.

Herdando a palavra grega para designar o "Todo", bem como o nome do deus da natureza e dos animais, o PAN - Partido pelos Animais e pela Natureza - incarna esse paradigma na sociedade e na política portuguesas.

O objectivo deste blogue é divulgar e fomentar o debate em torno de contributos diversos, contemporâneos e de todos os tempos, para a formulação deste novo paradigma, nas letras, nas artes e nas ciências.

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terça-feira, 25 de junho de 2013

"Importa construir um novo ethos que permita uma nova convivência entre os humanos com os demais seres da comunidade biótica, planetária e cósmica"


“Em momentos críticos como os que vivemos, revisitamos a sabedoria ancestral dos povos e nos colocamos na escola de uns e outros. Todos nos fazemos aprendizes e aprendentes. Importa construir um novo ethos que permita uma nova convivência entre os humanos com os demais seres da comunidade biótica, planetária e cósmica; que propicie um novo encantamento face à majestade do universo e à complexidade das relações que sustentam todos e cada um dos seres”


- Leonardo Boff, Saber Cuidar. Ética do humano – compaixão pela terra, Petrópolis, Editora Vozes, 2011, p.27.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Leonardo Boff e a democracia sociocósmica, abrangente de todas as formas de vida

"O marco sociopolítico dessa libertação integral é a democracia ampliada e enriquecida. Essa democracia haverá de ser biocracia, democracia sociocósmica, ou seja, uma democracia que esteja centrada na vida, que parta da vida humana mais humilhada, que inclua os elementos da natureza tais como as montanhas, as plantas, as águas, os animais, a atmosfera e as paisagens como novos cidadãos participantes do convite humano e aos humanos como participantes do convite cósmico. Só então haverá justiça ecológica e societária com uma paz assegurada no planeta Terra"


- Leonardo Boff, Ecologia: grito da Terra, grito dos pobres [tradução castelhana: Ecología: grito de la Tierra, grito de los pobres, Madrid, Trotta, 2006, pp.144-145].

terça-feira, 15 de novembro de 2011

"(...) sentir-se terra é perceber-se dentro de uma complexa comunidade de outros filhos e filhas da Terra"

"(...) sentir-se terra é perceber-se dentro de uma complexa comunidade de outros filhos e filhas da Terra. A Terra não produz apenas a nós, seres humanos. Produz a miríade de micro-organismos que compõem 90% de toda a rede da vida, os insetos que constituem a biomassa mais importante da biodiversidade. Produz as águas, a capa verde com a infinita diversidade de plantas, flores e frutos. Produz a diversidade incontável de seres vivos, animais, pássaros e peixes, nossos companheiros dentro da unidade sagrada da vida porque em todos estão presentes os vinte aminoácidos que entram na composição da vida. Para todos produz as condições de subsistência, de evolução e de alimentação, no solo, no subsolo e no ar. Sentir-se Terra é mergulhar na comunidade terrenal, no mundo dos irmãos e das irmãs, todos filhos e filhas da grande e generosa Mãe-Terra, nosso lar comum"

- Leonardo Boff, "Ecologia e ecoespiritualidade", Petrópolis, Vozes, 2011, pp.78-79.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Leonardo Boff e o novo paradigma holístico



"O marco sociopolítico dessa libertação integral é a democracia ampliada e enriquecida. Essa democracia haverá de ser biocracia, democracia sociocósmica, ou seja, uma democracia que esteja centrada na vida, que parta da vida humana mais humilhada, que inclua os elementos da natureza tais como as montanhas, as plantas, as águas, os animais, a atmosfera e as paisagens como novos cidadãos participantes do convite humano e aos humanos como participantes do convite cósmico. Só então haverá justiça ecológica e societária com uma paz assegurada no planeta Terra"
- Leonardo Boff, Ecologia: grito da Terra, grito dos pobres [tradução castelhana: Ecología: grito de la Tierra, grito de los pobres, Madrid, Trotta, 2006, pp.144-145].

"Com a era ecológica atravessamos os umbrais de uma nova civilização. Esta só chegará a consolidar-se se tiverem lugar transformações fundamentais nas mentes das pessoas e nos padrões de relação com o universo na sua totalidade. Um novo paradigma exige uma nova linguagem, um novo imaginário, uma nova política, uma nova pedagogia, uma nova ética, uma nova descoberta do sagrado e um novo processo de individuação (espiritualidade)" - Ibid., p.149.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

"A ecologia ou é holística ou não é ecologia"

"A ecologia ou é holística ou não é ecologia. O holismo (do grego holos = totalidade), termo divulgado pelo filósofo sul-africano Jan Smutts a partir de 1926, significa captar o todo nas partes e as partes no todo de tal forma que nos deparemos sempre com uma síntese que ordena, organiza, regula e faz que as partes tenham como meta um todo e que cada todo a tenha noutra totalidade sempre maior. A ecologia holística é uma prática e um pensamento que inclue e relaciona todos os seres entre si e com o respectivo meio ambiente desde a perspectiva do infinitamente pequeno das energias e partículas elementares, do infinitamente grande dos espaços cósmicos, do infinitamente complexo da vida, do infinitamente profundo do coração humano e do infinitamente misterioso, anterior ao big bang, oceano ilimitado de Energia do qual tudo mana (vazio quântico, símbolo do Deus criador)"

- Leonardo Boff, Ecologia: grito da Terra, grito dos pobres [a partir da edição castelhana: Ecología: grito de la Tierra, grito de los pobres, Madrid, Trotta, 2006, p.60].

"A grande comunidade cósmica"



- Jerónimo Bosch, Jardim das Delícias.

"Nós, enquanto partes do universo, somos todos irmãos e irmãs: as partículas elementares, os quarks, as pedras, as lesmas, os animais, os humanos, as estrelas, as galáxias. Houve um tempo no qual estivemos todos juntos sob a forma de energia e partículas originárias, na esfera primordial, depois dentro das gigantes estrelas vermelhas, de seguida na nossa Via Láctea, no sol e na Terra. Somos feitos dos mesmos elementos. E, enquanto seres vivos, possuímos o mesmo código genético dos demais seres vivos, das amibas, dos dinossauros, do tubarão, do macaco-leão dourado, do australopiteco, do homo sapiens-demens contemporâneo. Um vínculo de fraternidade/sororidade une-nos objectivamente, coisa que São Francisco já intuía misticamente no século XIII. Formamos a grande comunidade cósmica. Temos uma origem comum e, certamente, um destino comum"

- Leonardo Boff, Ecologia: grito da Terra, grito dos pobres [a partir da edição castelhana: Ecología: grito de la Tierra, grito de los pobres, Madrid, Trotta, 2006, p.64].