PAN - UM NOVO PARADIGMA
Herdando a palavra grega para designar o "Todo", bem como o nome do deus da natureza e dos animais, o PAN - Partido pelos Animais e pela Natureza - incarna esse paradigma na sociedade e na política portuguesas.
O objectivo deste blogue é divulgar e fomentar o debate em torno de contributos diversos, contemporâneos e de todos os tempos, para a formulação deste novo paradigma, nas letras, nas artes e nas ciências.
terça-feira, 13 de agosto de 2013
Por um novo paradigma mental, ético e civilizacional
quinta-feira, 25 de julho de 2013
A política do futuro já presente visa a mudança da civilização, em prol do bem comum a tudo e todos, humanos, não-humanos e ecossistemas. Só essa política pode salvar a própria humanidade dos desvarios de que é responsável.
A política do futuro já presente visa a mudança da civilização, em prol do bem comum a tudo e todos, humanos, não-humanos e ecossistemas. Só essa política pode salvar a própria humanidade dos desvarios de que é responsável.
A política do futuro já presente tem visão ampla e pés bem assentes na terra. Dá passos concretos sem perder de vista os fins últimos: fazer da Terra um lugar melhor para todos os seres. Para isso defende o despertar das consciências, a transição para uma economia de recursos e do bem comum, democracia participativa, sustentabilidade local e regional, alimentação ética e saudável, menos trabalho para cada um e mais emprego para todos, reconhecimento de direitos aos animais e ao mundo natural, ecotaxas sobre o impacto ambiental e muito mais coisas.
É só nesta política que acredito e é com ela que me comprometo. A começar por onde estou: Portugal e Lisboa. E tu? Vais continuar a deixar tudo na mesma, a criticar sem fazer nada e distraído à espera que a morte chegue?
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
As causas animal, humana e ambiental são uma só causa
É também por isso que chegou a hora de integrar as lutas sectoriais num mais amplo Movimento, de libertação global dos viventes, humanos e não humanos, e da Terra, das garras do neoliberalismo selvagem. Urge não separar as causas animal, humana e ambiental, que na verdade são uma só. É necessário subordinar a economia à política, a política à ética e a ética a uma nova cultura, inspirada por um novo paradigma, o da interconexão de todos os seres, sencientes, viventes e existentes, o da interdependência de patas, asas, mãos, barbatanas, folhas, ares, mares, rios e terra: o paradigma da grande fraternidade cósmica. E isso é Já. A Hora é Agora.
domingo, 25 de novembro de 2012
Três caminhos para um novo paradigma cultural
“Três caminhos
1.No plano emocional, desenvolver a sim-patia e a com-paixão por todos os seres, mais além do círculo estreito dos seres próximos.
2.No plano intelectual, compreender a complexidade, interdependência e ecodependência dos sistemas que somos e dos sistemas onde vivemos.
3.No plano espiritual, questionar o egocentrismo e tratar de viver a partir de um «eu ecológico»”
- Jorge Riechmann, Interdependientes y Ecodependientes, 2012, p.404.
domingo, 19 de junho de 2011
Por um novo paradigma mental, ético e civilizacional
Manifestação particularmente violenta do antropocentrismo tem sido o especismo, preconceito pelo qual o homem discrimina os membros de outras espécies animais por serem diferentes e vulneráveis, mediante um critério baseado no tipo de inteligência que possuem que ignora a sua comum capacidade de sentirem dor e prazer físicos e psicológicos (a senciência, ou seja, a sensibilidade e o sentimento conscientes de si, distinto da sensitividade das plantas) ou o serem sujeitos-de-uma-vida, consoante as perspectivas de Peter Singer e Tom Regan [3]. A exploração ilimitada de recursos naturais finitos e dos animais não-humanos para fins alimentares, (pseudo-)científicos, de trabalho, vestuário e divertimento, tem causado um grande desequilíbrio ecológico e um enorme sofrimento. O especismo é afim a todas as formas de discriminação e opressão do homem pelo homem, como o sexismo, o racismo e o esclavagismo, embora sem o reconhecimento e combate de que estas têm sido alvo.
A desconsideração ética do mundo natural e da vida animal não só obsta à evolução moral da humanidade como também a lesa, lesando o planeta, como é particularmente evidente nos efeitos do consumo de carne industrial. Além do sofrimento dos animais, criados artificialmente em autênticos campos de concentração [4], além da nocividade da sua carne, saturada de antibióticos e hormonas de crescimento [5], a pecuária intensiva é um mau negócio com um tremendo impacte ecológico: a produção de 1 kg de carne de vaca liberta mais gases com efeito de estufa do que conduzir um carro e deixar todas as luzes de casa ligadas durante 3 dias, consome 13-15 kg de cereais/leguminosas e 15 000 litros de água potável, cuja escassez já causa 1.6 milhões de mortes por ano e novos ciclos bélicos (http://www.ambienteonline.pt/noticias/detalhes.php?id=7788); a pecuária intensiva é responsável por 18% da emissão de gases com efeito de estufa a nível mundial, como o metano, emitido pelo gado bovino, que contribui para o aquecimento global 23 vezes mais do que o dióxido de carbono; 70% do solo agrícola mundial destina-se a alimentar gado e 70% da desflorestação da selva amazónica deve-se à criação de pastagens e cultivo de soja para o alimentar; entre outros índices, destaque-se que toda a proteína vegetal hoje produzida no mundo para alimentar animais para consumo humano poderia nutrir directamente 2 000 milhões de pessoas, um terço da população mundial, enquanto 1 000 milhões padecem fome [6]. Isto leva a ONU a considerar urgente uma dieta sem carne nem lacticínios para alimentar de forma sustentável uma população que deve atingir os 9.1 biliões em 2050 [7].
Compreende-se assim a urgência de um novo paradigma mental, ético e civilizacional que veja que as agressões aos animais e à natureza são agressões da humanidade a si mesma, que não separe as causas humanitária, animal e ecológica e que reconheça um valor intrínseco e não apenas instrumental aos seres sencientes e ao mundo natural, consagrando juridicamente o direito dos primeiros à vida e ao bem-estar e o do segundo à preservação e integridade (no que respeita aos animais, Portugal possui um dos Códigos Civis mais atrasados, considerando-os meras coisas, o que urge alterar) [8]. Sem este novo paradigma, de uma nova humanidade, não antropocêntrica, em que o homem seja responsável pelo bem de tudo e de todos [9], não parece viável haver futuro.
[1] Kant considera o homem o “senhor da natureza”, que tem nele o seu “fim último” – Critique de la faculté de juger, 83, Paris, Vrin, 1982. O mesmo autor considera que os animais “não têm consciência de si mesmos e não são, por conseguinte, senão meios em vista de um fim. Esse fim é o homem”, que não tem “nenhum dever imediato para com eles” – Leçons d’éthique, Paris, LGF, 1997, p.391.
[2] Peter Raven escreve no Atlas of Population and Environment: "Impulsionamos a taxa de extinção biológica, a perda permanente de espécies, até centenas de vezes acima dos níveis históricos, e há a ameaça da perda da maioria de todas as espécies no fim do século XXI”. A equipa internacional liderada pelo biólogo Miguel Araújo, da Universidade de Évora, publicou recentemente um importante artigo na revista Nature sobre as consequências na “árvore da vida” das mutações climáticas antropogénicas: http://www.nature.com/nature/journal/v470/n7335/full/nature09705.html
[3] Cf. Peter Singer, Libertação Animal [1975], Porto, Via Óptima, 2008; Tom Regan, The Case for Animal Rights [1983], Berkeley, University of California Press, 2004, 3ª edição. Peter Singer segue a perspectiva utilitarista herdada de Jeremy Bentham e baseia-se na igualdade de interesses dos animais humanos e não-humanos em experimentarem o prazer e evitarem a dor, enquanto Tom Regan estende a muitos dos animais não-humanos a perspectiva deontológica de Kant, considerando-os indivíduos com identidade, iniciativas e objectivos e assim com direitos intrínsecos à vida, à liberdade e integridade. Cf. Os animais têm direitos? Perspectivas e argumentos, introd., org. e trad. de Pedro Galvão, Lisboa, Dinalivro, 2011.
[4] Cf. Peter Singer, Libertação Animal; Jonathan S. Foer, Comer Animais [2009], Lisboa, Bertrand, 2010.
[5] Segundo a Organização Mundial de Saúde, mais de 75% das doenças mais mortais nos países industrializados advêm do consumo de carne.
[6] Cf. um relatório de 2006 da FAO, Food and Agriculture Organization, da ONU, Livestock’s Long Shadow: environmental issues and options: http://www.fao.org/docrep/010/a0701e/a0701e00.HTM
[7] http://www.guardian.co.uk/environment/2010/jun/02/un-report-meat-free-diet
[8] Para uma introdução às diferentes perspectivas e questões éticas e jurídicas relacionadas com a natureza e os animais, cf. Fernando Araújo, A Hora dos Direitos dos Animais, Coimbra, Almedina, 2003; Maria José Varandas, Ambiente. Uma Questão de Ética, Lisboa, Esfera do Caos, 2009; Stéphane Ferret, Deepwater Horizon. Éthique de la Nature et Philosophie de la Crise Écologique, Paris, Seuil, 2011.
[9] Cf. Hans Jonas, Das Prinzip Verantwortung, Frankfurt am Mein, Insel Verlag, 1979.
sábado, 26 de março de 2011
"Porque exigir um máximo de lucros (económicos), quando isso supõe arcar com um máximo de custos (sociais ou ecológicos)?"

“A razão de ser da actividade económica é garantir as condições básicas da vida humana. E será necessária a “maximização dos lucros” para a sobrevivência humana? […] A busca do lucro está decerto justificada do ponto de vista ético sempre que fiquem a salvo outros valores superiores, porém isto de modo algum justifica eticamente a maximização dos lucros como princípio da política económica. Porque exigir um máximo de lucros (económicos), quando isso supõe arcar com um máximo de custos (sociais ou ecológicos)?
• Um novo ordenamento da economia mundial requer uma ética de responsabilidade de economistas realistas com um horizonte idealista. Esta ética pressupõe, também na economia, sentimentos, ideais e valores, porém questiona-se de forma realista pelas consequências previsíveis, em particular as negativas, das decisões económicas e responsabiliza-se por elas.
• Na era pós-moderna, uma actuação económica responsável consiste em estabelecer um vínculo sério entre as estratégias económicas e o juízo ético.
• Este novo paradigma de ética económica concretiza-se na medida em que – admitida a legitimidade do lucro – submete a actuação económica à prova de se lesa bens ou valores superiores, ou se tem suficientemente em conta a realidade social e ambiental e também o futuro. Dado que não resulta nada fácil submeter os casos concretos a esta prova argumentativa de verificação ética, tornam-se necessários ordenamentos políticos específicos”
- Hans Küng, Weltethos für Weltpolitik und Weltwirtschaft [Uma ética mundial para a política mundial e a economia mundial], 1997.
domingo, 20 de março de 2011
Para um Paradigma Aberto e Penetrante
Erro, Ilusão e Modelo Bafioso
I
O que chamamos “conhecimento”, enquanto resultado das actividades intelectivas baseadas na não reflexão contém várias limitações que resultam em postulados eivados de erros, de ilusão. A aceitação destas limitações é tanto mais difícil quanto os equívocos e as aparências não forem devidamente compreendidos e enquadrados nas falsas concepções sobre o “si”, sobre o Homem, sobre o que apelidamos de Natureza. As falsas compreensões, assentes em distorções cognitivas, obrigam a paradigmas que conduzem a abordagens redutoras e que implicam práticas incorrectas no que diz respeito à Vida, ao Todo e às partes. Perder isto de vista afigura-se erro fundamental.
A pretensão de se poder espelhar a verdade, ignorando a raiz do que se pensa e faz, resulta de reedificações e translações a partir de incentivos exteriores e interiores, de signos e de processos tantas vezes levados a cabo segundo vias de menor resistência. As codificações pela mente comportam dois erros fundamentais: os de percepção e de intelecção. O conhecimento sob a forma de palavra, axioma e conceptualização, parece resultar afinal de uma tradução/reconstrução mediada pelo idioma e pelo pensamento discriminativo. Deste modo, a interpretação é presença constante nesta equação. Logo, o erro é assim inevitável. O “conhecedor” enquanto separado do “seu” objecto, dito de “conhecimento”, não compreende a simbiose da relação. O que aquele entende como sendo correctos princípios de conhecimento, que implicam um dado saber, levam-no a não compreender a redução e o condicionamento que estão subjacentes a esta operação disjuntiva. Em resumo, este “conhecimento” é redutor, consequência resultante de erros de percepção e de ideias, fruto dos esforços racionalistas, afinal escassos de racionalidade. Se forem acrescentadas as projecções dos medos, as perturbações mentais como consequência/causa de uma emocionalidade e intelectividade separativista, egotista, têm-se como resultado o exponenciar de erros e ilusões e dos riscos que daí advêm.
Se o Homem for entendido como um microcosmos interdependente do/no macrocosmos, aquele nunca poderá prescindir de uma afectividade salutar. Os sentimentos de desejo/ódio devem ser progressivamente transmutados em amor/amizade para que uma postura equânime possa surgir no sentimento de si em relação. Só isso permitirá um florescimento de uma inteligência mais subtil, menos feroz, multifacetada, mais iluminada pela luz da intuição que é abarcância profunda de fraternidade/equanimidade. Deste modo, poderá surgir uma razão equilibrada, dado que razão e emoção são um par de namorados, um par de opostos que se complementam. O crescimento de um e o definhamento de outro obrigam a desequilíbrios, a excessos de racionalidade e/ou de emocionalidade, o que implica numa vida imponderada, longe da sabedoria e da compaixão fraterna. Assim, o equilíbrio afecto/intelecto deve ser esfera que possa rolar com o mínimo de atrito.
Isso possibilitará um contemplar profundo, um mergulho em tranquila apneia para que se possa olhar e ver o que subjaz nestes modelos que hoje ainda imperam e, transmutando isso, propor-se um novo paradigma, aberto e fraterno, dadas as novas raízes que permitirão um pensar e um viver mais humanos, uma hermenêutica mais funda[1] que viabilize serem tratados fraternamente, os problemas colocados pelas epistemologias[2], pelas filosofias e pelas éticas.
Carecemos de um paradigma aberto, abarcante e tecido em conjunto, que se insira e abra harmoniosamente ao Global, ao Todo, onde impere a racionalidade aberta e não o racionalismo obtuso e redutor, de modo a propiciar um ensino de vida não formatado, logo não formatador, de modo a que possa haver uma vivência e uma educação sempre abertas ao continuo fluir do Movimento/Vida/Consciência nos seus múltiplos planos e níveis.
[1] Que se constitua também como uma epistemologia e metodologia da compreensão do Todo que possa promover uma inteligência geral, global, abarcante, e não um hiper-especialização que fragmenta e impossibilita a integração das partes no Todo a que pertencem. Uma filosofia ou teoria unitiva dos múltiplos sentidos e interdependências das partes. Enfim, o trazer à compreensão o que ficou escondido, de modo a mostrar os laços do que é tido como sendo separado, as instruções que esperam ser desveladas, encerradas nas formas simbólicas, matrizes que o Movimento desenrola.
[2] Não uma epistemologia entendida como uma parte de um tipo de lógica, e que tem a pretensão de se ocupar do estudo crítico das ciências, mas sim uma Ciência aberta e abarcante que ilumine o estudo do conhecimento das limitações do conhecimento para que este se volva Sabedoria e jamais como fonte de desligação e de sofrimento.
sábado, 8 de janeiro de 2011
Se não visamos o bem de todos, não conseguimos o de nenhum
Só um novo paradigma, holístico e global, que não separe o bem dos homens, dos animais e o respeito pela comum mãe-natureza, pode trazer a alternativa que todos procuramos. Seguir outros caminhos é continuar a fazer parte do problema e não da solução. E este novo paradigma tem de assumir uma expressão em todas as áreas, da espiritualidade à educação, à organização social, económica e política e às relações internacionais.
Queremos fazer parte da mudança ou reproduzir no futuro o passado?
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Leonardo Boff e o novo paradigma holístico

"O marco sociopolítico dessa libertação integral é a democracia ampliada e enriquecida. Essa democracia haverá de ser biocracia, democracia sociocósmica, ou seja, uma democracia que esteja centrada na vida, que parta da vida humana mais humilhada, que inclua os elementos da natureza tais como as montanhas, as plantas, as águas, os animais, a atmosfera e as paisagens como novos cidadãos participantes do convite humano e aos humanos como participantes do convite cósmico. Só então haverá justiça ecológica e societária com uma paz assegurada no planeta Terra"
- Leonardo Boff, Ecologia: grito da Terra, grito dos pobres [tradução castelhana: Ecología: grito de la Tierra, grito de los pobres, Madrid, Trotta, 2006, pp.144-145].
"Com a era ecológica atravessamos os umbrais de uma nova civilização. Esta só chegará a consolidar-se se tiverem lugar transformações fundamentais nas mentes das pessoas e nos padrões de relação com o universo na sua totalidade. Um novo paradigma exige uma nova linguagem, um novo imaginário, uma nova política, uma nova pedagogia, uma nova ética, uma nova descoberta do sagrado e um novo processo de individuação (espiritualidade)" - Ibid., p.149.

