PAN - UM NOVO PARADIGMA

Vivemos o fim de ciclo de um paradigma civilizacional esgotado, o paradigma antropocêntrico, cuja exacerbação nos últimos séculos aumentou a devastação do planeta, a perda da biodiversidade e o sofrimento de homens e animais. Impõe-se um novo paradigma, uma nova visão/vivência da realidade, ideias, valores e símbolos que sejam a matriz de uma nova cultura e de uma metamorfose mental que se expresse em todas as esferas da actividade humana, religiosa, ética, científica, filosófica, artística, pedagógica, social, económica e política. Esse paradigma, intemporal e novíssimo, a descobrir e recriar, passa pela experiência da realidade como uma totalidade orgânica e complexa, onde todos os seres e ecossistemas são interdependentes, não podendo pensar-se o bem de uns em detrimento de outros e da harmonia global. Nesta visão holística da Vida, o ser humano não perde a sua especificidade, mas, em vez de se assumir como o dono do mundo, torna-se responsável pelo equilíbrio ecológico do planeta e pelo direito de todos os seres vivos à vida e ao bem-estar.

Herdando a palavra grega para designar o "Todo", bem como o nome do deus da natureza e dos animais, o PAN - Partido pelos Animais e pela Natureza - incarna esse paradigma na sociedade e na política portuguesas.

O objectivo deste blogue é divulgar e fomentar o debate em torno de contributos diversos, contemporâneos e de todos os tempos, para a formulação deste novo paradigma, nas letras, nas artes e nas ciências.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

"A harmonia e a amizade sociais têm de se ampliar a todos os seres vivos e à Terra"



“Procuravam então reunir-se e fundar cidades para se defenderem. Mas, uma vez reunidos, lesavam-se reciprocamente, por não possuírem a arte política; de tal modo que recomeçavam a dispersar-se e a perecer.
Zeus então, inquieto pela nossa espécie ameaçada de desaparecer, envia Hermes levar aos homens o pudor (aïdos) e a justiça, a fim de que houvesse nas cidades a harmonia e os laços criadores de amizade”
- Platão, Protágoras, 322a – 322c.

Äidos, traduzido habitualmente por pudor, é uma antiga palavra grega “que acabou por designar a atitude de escuta do outro no debate público, a capacidade de cada um de ter em conta a opinião de outrem” (Jacques Ricot). Sem esta escuta atenta do outro e sem justiça não existem a harmonia e a amizade sociais que tornam possível uma comunidade política, em vez da luta desenfreada de interesses grupais e individuais a que hoje assistimos. Restaurá-las é hoje fundamental, mas superando o modelo grego antropocêntrico que moldou o Ocidente e se globalizou. A escuta do outro e a justiça, a harmonia e a amizade sociais têm de se ampliar a todos os seres vivos e à Terra.

2 comentários:

Luisa Andrez disse...

Há muito tempo que o homem usa e abusa da natureza, dos animais e mesmo de outros seres da sua espécie, movido por ganância, vaidade e mesmo crueldade. Estamos a chegar a um ponto em que é difícil retroceder,mas penso que hoje mais do que nunca é necessário dizer BASTA! a tanta estupidez, ignorância voluntária e egoismo. Os recursos do planeta estão a esgotar-se e, ainda assim,o homem continua tão arrogante como sempre.
A única saída possível encontra-se no coração de cada um de nós e na consciencialização de que fazemos todos parte de um TODO e que continuarmos a colocar-nos no pedestal de «reis da criação» tem os dias contados...

Paulo Borges disse...

Pura verdade!

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