PAN - UM NOVO PARADIGMA
Vivemos o fim de ciclo de um paradigma civilizacional esgotado, o paradigma antropocêntrico, cuja exacerbação nos últimos séculos aumentou a devastação do planeta, a perda da biodiversidade e o sofrimento de homens e animais. Impõe-se um novo paradigma, uma nova visão/vivência da realidade, ideias, valores e símbolos que sejam a matriz de uma nova cultura e de uma metamorfose mental que se expresse em todas as esferas da actividade humana, religiosa, ética, científica, filosófica, artística, pedagógica, social, económica e política. Esse paradigma, intemporal e novíssimo, a descobrir e recriar, passa pela experiência da realidade como uma totalidade orgânica e complexa, onde todos os seres e ecossistemas são interdependentes, não podendo pensar-se o bem de uns em detrimento de outros e da harmonia global. Nesta visão holística da Vida, o ser humano não perde a sua especificidade, mas, em vez de se assumir como o dono do mundo, torna-se responsável pelo equilíbrio ecológico do planeta e pelo direito de todos os seres vivos à vida e ao bem-estar.
Herdando a palavra grega para designar o "Todo", bem como o nome do deus da natureza e dos animais, o PAN - Partido pelos Animais e pela Natureza - incarna esse paradigma na sociedade e na política portuguesas.
O objectivo deste blogue é divulgar e fomentar o debate em torno de contributos diversos, contemporâneos e de todos os tempos, para a formulação deste novo paradigma, nas letras, nas artes e nas ciências.
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terça-feira, 10 de julho de 2012
“Quando dás a volta à Terra a cada hora e meia reconheces que a tua identidade não tem que ver com um lugar concreto, mas está antes ligada à totalidade do planeta"
“Quando dás a volta à Terra a cada hora e meia reconheces que a tua identidade não tem que ver com um lugar concreto, mas está antes ligada à totalidade do planeta, o que, implica, necessariamente, uma transformação. Quando olhas para baixo não percepcionas nenhum tipo de fronteiras […]. Centenas de pessoas matando-se uns aos outros por uma linha imaginária que nem sequer podes chegar a percepcionar. Visto daqui o planeta é uma totalidade tão bela que desejarias pegar pela mão a todos os indivíduos, um por um, e dizer-lhes: «Olha-o daqui. Dá-te conta do que é realmente importante!»
[…]
Pensas no que estás a experimentar e questionas-te o que fizeste para merecer esta fantástica experiência. Por acaso fizeste algo para experimentá-la? Foste eleito por Deus para desfrutar de uma experiência especial à qual os demais não podem aceder? Sabes que a resposta é não, que não és especialmente merecedor do que está a ocorrer. Isto não é algo especial para ti. Nesse momento estás muito consciente de seres uma espécie de sensor de todo o género humano.
Contemplas então a superfície do globo sobre o qual viveste até esse momento e tomas consciência de todas as pessoas que vivem aí. Eles não são diferentes de ti, és igual a eles, representa-los. Não és mais do que o elemento sensível […]. De algum modo tomas consciência de que és a vanguarda da vida e que deves regressar renovado a ela.
Esta experiência torna-te mais responsável da tua relação com isso a que chamamos vida. Houve uma mudança que transforma, a partir desse momento, a tua relação com o mundo. Esta experiência excepcional modifica a relação que mantinhas, até então, com este planeta e com todas as suas formas de vida”
- Rusty Schweickart, astronauta, falando da experiência de contemplar a Terra a partir da Apolo 9.
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terça-feira, 15 de novembro de 2011
"(...) sentir-se terra é perceber-se dentro de uma complexa comunidade de outros filhos e filhas da Terra"
"(...) sentir-se terra é perceber-se dentro de uma complexa comunidade de outros filhos e filhas da Terra. A Terra não produz apenas a nós, seres humanos. Produz a miríade de micro-organismos que compõem 90% de toda a rede da vida, os insetos que constituem a biomassa mais importante da biodiversidade. Produz as águas, a capa verde com a infinita diversidade de plantas, flores e frutos. Produz a diversidade incontável de seres vivos, animais, pássaros e peixes, nossos companheiros dentro da unidade sagrada da vida porque em todos estão presentes os vinte aminoácidos que entram na composição da vida. Para todos produz as condições de subsistência, de evolução e de alimentação, no solo, no subsolo e no ar. Sentir-se Terra é mergulhar na comunidade terrenal, no mundo dos irmãos e das irmãs, todos filhos e filhas da grande e generosa Mãe-Terra, nosso lar comum"
- Leonardo Boff, "Ecologia e ecoespiritualidade", Petrópolis, Vozes, 2011, pp.78-79.
- Leonardo Boff, "Ecologia e ecoespiritualidade", Petrópolis, Vozes, 2011, pp.78-79.
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
"Tiram dos pobres e dos fracos para alimentar os ricos que mandam"
Olhai meus irmãos, chegou a primavera; a terra recebeu os abraços do sol e em breve veremos os resultados desse amor!
Cada semente despertou e o mesmo se passa com toda a vida animal. É através desse misterioso poder que também nós temos o nosso ser e que do mesmo modo consentimos aos nossos vizinhos, mesmo aos animais vizinhos, um direito igual ao que temos, de habitar a terra.
No entanto, ouvi-me, minha gente, nós agora temos que tratar com outra raça - que era pequena e fraca quando os nossos pais a encontraram pela primeira vez, mas que agora é inumerável e esmagadora. Por estranho que pareça, tem propensão para cultivar o solo mas o amor da posse é uma doença entre eles. Essa gente fez muitas regras que os ricos podem quebrar mas não os pobres. Tiram dos pobres e dos fracos para alimentar os ricos que mandam. Afirmam que esta nossa mãe de todos nós, a terra, é deles, e separam-se com vedações dos vizinhos, e desfiguram-na com os seus edifícios e lixo. Essa nação é como uma torrente furiosa que salta das suas margens e destrói todos os que estão no seu caminho.
Não podemos habitar lado a lado. Há sete anos apenas fizemos um tratado no qual era assegurado que o país do búfalo seria nosso para sempre. Agora ameaçam tirá-lo de nós. Meus irmãos, devemos submeter-nos ou devemos dizer-lhes: «Matem-me antes de tomar posse da minha Terra Natal...»
- Tatanka Yotanka (Touro Sentado), Guerreiro Sioux,
in O Sopro das Vozes Textos de Índios Americanos, Assírio e Alvim, pp.186-187
Cada semente despertou e o mesmo se passa com toda a vida animal. É através desse misterioso poder que também nós temos o nosso ser e que do mesmo modo consentimos aos nossos vizinhos, mesmo aos animais vizinhos, um direito igual ao que temos, de habitar a terra.
No entanto, ouvi-me, minha gente, nós agora temos que tratar com outra raça - que era pequena e fraca quando os nossos pais a encontraram pela primeira vez, mas que agora é inumerável e esmagadora. Por estranho que pareça, tem propensão para cultivar o solo mas o amor da posse é uma doença entre eles. Essa gente fez muitas regras que os ricos podem quebrar mas não os pobres. Tiram dos pobres e dos fracos para alimentar os ricos que mandam. Afirmam que esta nossa mãe de todos nós, a terra, é deles, e separam-se com vedações dos vizinhos, e desfiguram-na com os seus edifícios e lixo. Essa nação é como uma torrente furiosa que salta das suas margens e destrói todos os que estão no seu caminho.
Não podemos habitar lado a lado. Há sete anos apenas fizemos um tratado no qual era assegurado que o país do búfalo seria nosso para sempre. Agora ameaçam tirá-lo de nós. Meus irmãos, devemos submeter-nos ou devemos dizer-lhes: «Matem-me antes de tomar posse da minha Terra Natal...»
- Tatanka Yotanka (Touro Sentado), Guerreiro Sioux,
in O Sopro das Vozes Textos de Índios Americanos, Assírio e Alvim, pp.186-187
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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
"Que é o ser humano sem os animais?"
"Que é o ser humano sem os animais? Se os animais deixassem de existir, os seres humanos morreriam com a grande solidão do coração. Pois tudo quanto acontece aos animais logo há-de acontecer também aos seres humanos. Todas as coisas estão interligadas.
O que quer que aconteça à Terra, há-de acontecer também aos filhos da Terra"
- discurso do chefe índio de Seattle.
O que quer que aconteça à Terra, há-de acontecer também aos filhos da Terra"
- discurso do chefe índio de Seattle.
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