PAN - UM NOVO PARADIGMA

Vivemos o fim de ciclo de um paradigma civilizacional esgotado, o paradigma antropocêntrico, cuja exacerbação nos últimos séculos aumentou a devastação do planeta, a perda da biodiversidade e o sofrimento de homens e animais. Impõe-se um novo paradigma, uma nova visão/vivência da realidade, ideias, valores e símbolos que sejam a matriz de uma nova cultura e de uma metamorfose mental que se expresse em todas as esferas da actividade humana, religiosa, ética, científica, filosófica, artística, pedagógica, social, económica e política. Esse paradigma, intemporal e novíssimo, a descobrir e recriar, passa pela experiência da realidade como uma totalidade orgânica e complexa, onde todos os seres e ecossistemas são interdependentes, não podendo pensar-se o bem de uns em detrimento de outros e da harmonia global. Nesta visão holística da Vida, o ser humano não perde a sua especificidade, mas, em vez de se assumir como o dono do mundo, torna-se responsável pelo equilíbrio ecológico do planeta e pelo direito de todos os seres vivos à vida e ao bem-estar.

Herdando a palavra grega para designar o "Todo", bem como o nome do deus da natureza e dos animais, o PAN - Partido pelos Animais e pela Natureza - incarna esse paradigma na sociedade e na política portuguesas.

O objectivo deste blogue é divulgar e fomentar o debate em torno de contributos diversos, contemporâneos e de todos os tempos, para a formulação deste novo paradigma, nas letras, nas artes e nas ciências.

domingo, 19 de junho de 2011

O homem, uma anomalia destrutiva?

"O homem adquiriu agora um tal domínio sobre o mundo material e um tal poder de aumentar em número que é provável que toda a superfície da terra seja invadida por esta anomalia, até à aniquilação de cada uma das belas e maravilhosas variedades de seres animados"
- Charles Darwin.

1 comentários:

Manuel Alves disse...

A pergunta deve ser levada a sério.
Somos já "biliões" a povoar o nosso planeta, o qual não estica, e tem recursos renováveis limitados.
No actual estádio de desenvolvimento da humanidade, no qual por um lado a população mundial continua a crescer, mas por outro lado se reconhecem limites ao crescimento económico para a sua sustentabilidade, temos de questionar algumas variáveis fundamentais:
- será possível continuarmos a manter uma base alimentar baseada nos cadáveres dos outros animais, sabendo que essa alimentação assenta numa industrialização massiva da produção de carne animal, a qual nos obriga a ocupar crescentemente terrenos agrícolas, para a produção exclusiva de alimentos destinados a esses animais, já que essa indústria carnívora, não é compatível com a pastagem normal desses animais, e por isso os amontoa aos milhares em autênticos campos de concentração, sem as mínimas condições sequer para a sua mobilidade?
- e se, em virtude dessa indústria massiva da produção de carne animal, os terrenos agrícolas escasseiam para a produção de cereais necessários para a nossa alimentação, que dizer da água, que cada vez mais se vai tornando num recurso escasso para a humanidade, sabendo que a produção de cada quilograma de carne, obriga ao dispêndio de mais de 15 mil litros de água?
-a par das limitações dos recursos fundamentais (terrenos agrícolas e água), torna-se essencial perguntarmos: o contínuo crescimento da população mundial será desejável e compatível com a necessidade de preservarmos o equilíbrio ecológico do nosso ecossistema natural?
São apenas algumas questões que visam alertar-nos para a encruzilhada em que os seres humanos se encontram, derivadas de opções erradas relativas à sua base alimentar, as quais esbarram contra.
* a necessidade de haver terrenos agrícolas destinados à produção de cereais apropriados à alimentação humana;
* a necessidade de preservarmos o recurso escasso da água;
* a necessidade de preservarmos as nossas florestas.
Por outro lado, nomeadamente nos países menos desenvolvidos, mais populosos e com maiores taxas de fertilidade, impõe-se a adopção de políticas de natalidade, que com eficácia consigam orientar as respectivas populações na auto-limitação do seu crescimento populacional.
Não estamos sós no planeta terra, os outros animais também têm direito ao seu território natural, e todos, seres humanos e não humanos não conseguiremos ter um amanhã minimamente qualitativo, se não soubermos preservar o equilíbrio ecológico da natureza, do qual todos dependemos e ao qual todos estamos interligados.

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