PAN - UM NOVO PARADIGMA

Vivemos o fim de ciclo de um paradigma civilizacional esgotado, o paradigma antropocêntrico, cuja exacerbação nos últimos séculos aumentou a devastação do planeta, a perda da biodiversidade e o sofrimento de homens e animais. Impõe-se um novo paradigma, uma nova visão/vivência da realidade, ideias, valores e símbolos que sejam a matriz de uma nova cultura e de uma metamorfose mental que se expresse em todas as esferas da actividade humana, religiosa, ética, científica, filosófica, artística, pedagógica, social, económica e política. Esse paradigma, intemporal e novíssimo, a descobrir e recriar, passa pela experiência da realidade como uma totalidade orgânica e complexa, onde todos os seres e ecossistemas são interdependentes, não podendo pensar-se o bem de uns em detrimento de outros e da harmonia global. Nesta visão holística da Vida, o ser humano não perde a sua especificidade, mas, em vez de se assumir como o dono do mundo, torna-se responsável pelo equilíbrio ecológico do planeta e pelo direito de todos os seres vivos à vida e ao bem-estar.

Herdando a palavra grega para designar o "Todo", bem como o nome do deus da natureza e dos animais, o PAN - Partido pelos Animais e pela Natureza - incarna esse paradigma na sociedade e na política portuguesas.

O objectivo deste blogue é divulgar e fomentar o debate em torno de contributos diversos, contemporâneos e de todos os tempos, para a formulação deste novo paradigma, nas letras, nas artes e nas ciências.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Passar de uma política antropocêntrica a uma política ecológica e cosmocêntrica

Um dos grandes desafios do presente, para que haja futuro para a humanidade na Terra, é passar de uma política antropocêntrica a uma política ecológica e cosmocêntrica. Isso implica uma metamorfose radical da teoria e prática política, que desde Aristóteles até hoje gravita em torno do homem. Na verdade implica uma mutação radical do próprio homem, que só pode sobreviver descentrado de si, num novo paradigma holístico. Cabe hoje aos mais conscientes anteciparem essa nova política, entre Céu e Terra, enquanto a velha política definha em tiranias, democracias de fachada e abstenções massivas.

1 comentários:

Manuel Alves disse...

Uma visão antropocêntrica do ser humano, realça o egocentrismo e egoísmo nos seres humanos, levando-os a considerarem que os outros seres vivos e a própria natureza estão ao serviço da felicidade humana.
Daí que no nosso Código Civil, os outros animais sejam considerados como meros objectos.
Os valores éticos resultantes desta visão antropocêntrica, são truncados, porque exclusivamente humanistas, trata-se de uma ética autárquica, na medida em que está ao serviço dos interesses exclusivos dos seres humanos.
Daí que a filosofia e as religiões ocidentais, ancoradas nessa visão antropocêntrica do ser humano, revelem toda a insensibilidade perante o sofrimento dos outros seres vivos sencientes, e convivam bem com a tortura e o sofrimento infligido pelos seres humanos aos outros animais, para seu mero divertimento ou pseudo-felicidade.
Por isso é fundamental reconhecermos que não estamos sós no Universo, e que os outros seres vivos têm direito ao seu território, têm órgãos sensoriais e um sistema nervoso que lhes dá capacidade de sofrimento e de afecto, e têm tal como nós direito ao respeito e à dignidade própria de um ser vivo senciente.
É tempo de pormos a nossa inteligência verdadeiramente ao serviço da humanidade, e isso implica sabermos ter amor e compaixão por todos os demais seres sencientes, e sabermos respeitar o nosso ecossistema natural.
Mas essa cultura implica a adopção de valores éticos universais, e estes estão associados a uma visão holística de todos os seres vivos sencientes e da própria natureza.
Por isso o PAN tem como lema dar valor aos valores, e porque o PAN parte dessa visão holística do ser humano e do universo, a bandeira do PAN é portadora desse novo paradigma, descrito por Paulo Borges como «intemporal e novíssimo, a descobrir e recriar, passa pela experiência da realidade como uma totalidade orgânica e complexa, onde todos os seres e ecossistemas são interdependentes, não podendo pensar-se o bem de uns em detrimento de outros e da harmonia global».
Por isso também a dimensão do PAN é universal!

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