PAN - UM NOVO PARADIGMA

Vivemos o fim de ciclo de um paradigma civilizacional esgotado, o paradigma antropocêntrico, cuja exacerbação nos últimos séculos aumentou a devastação do planeta, a perda da biodiversidade e o sofrimento de homens e animais. Impõe-se um novo paradigma, uma nova visão/vivência da realidade, ideias, valores e símbolos que sejam a matriz de uma nova cultura e de uma metamorfose mental que se expresse em todas as esferas da actividade humana, religiosa, ética, científica, filosófica, artística, pedagógica, social, económica e política. Esse paradigma, intemporal e novíssimo, a descobrir e recriar, passa pela experiência da realidade como uma totalidade orgânica e complexa, onde todos os seres e ecossistemas são interdependentes, não podendo pensar-se o bem de uns em detrimento de outros e da harmonia global. Nesta visão holística da Vida, o ser humano não perde a sua especificidade, mas, em vez de se assumir como o dono do mundo, torna-se responsável pelo equilíbrio ecológico do planeta e pelo direito de todos os seres vivos à vida e ao bem-estar.

Herdando a palavra grega para designar o "Todo", bem como o nome do deus da natureza e dos animais, o PAN - Partido pelos Animais e pela Natureza - incarna esse paradigma na sociedade e na política portuguesas.

O objectivo deste blogue é divulgar e fomentar o debate em torno de contributos diversos, contemporâneos e de todos os tempos, para a formulação deste novo paradigma, nas letras, nas artes e nas ciências.

sábado, 24 de agosto de 2013

Há que repensar radicalmente a sociedade

Há que repensar radicalmente a sociedade. A palavra vem do latino socius, -ii, que significa companheiro, associado, aliado, e tem sido redutoramente interpretada como apenas relativa aos seres humanos, no ciclo antropocêntrico da cultura e da civilização, hoje manifestamente em crise. Com efeito, a vida humana é inseparável da vida dos outros animais e ambas dos ecossistemas. Todos os seres, humanos e não humanos, são naturalmente companheiros. Depende dos humanos reconhecê-lo e tratar os demais seres não como adversários, presas ou meros instrumentos e recursos, mas sim como associados e aliados, dotados de interesses próprios e valor intrínseco. Até porque, mesmo numa perspectiva antropocêntrica esclarecida, as agressões da humanidade aos demais seres e ao planeta são agressões a si mesma, como o mostra a crise ecológica. Isto implica repensar radicalmente a política, que tem hoje cada vez mais de sair do círculo estreito do antropocentrismo para cuidar o bem comum de todos os seres vivos e da natureza como um todo. Sem isso, é difícil manter qualquer esperança no futuro.

1 comentários:

Maria Arminda Teixeira Silva disse...


Desde miúda que eu penso o mesmo, não podemos viver separados da natureza e dos irracionais para que possamos ser mais equilibrados; lamentavelmente a maioria do nosso povo não entende isso; a própria religião católica tem contribuido para isso sobretudo nos meios mais rurais; já na Biblia se sacrificavam os animais a Deus.e nos tempos que correm parece que a cultura deste país está a regredir;que tristeza me dá ver pessoas, jovens sobretudo que ainda não se interessem pelo tal bem comum entre os seres vivos e natureza.
M.Arminda - Porto

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