PAN - UM NOVO PARADIGMA

Vivemos o fim de ciclo de um paradigma civilizacional esgotado, o paradigma antropocêntrico, cuja exacerbação nos últimos séculos aumentou a devastação do planeta, a perda da biodiversidade e o sofrimento de homens e animais. Impõe-se um novo paradigma, uma nova visão/vivência da realidade, ideias, valores e símbolos que sejam a matriz de uma nova cultura e de uma metamorfose mental que se expresse em todas as esferas da actividade humana, religiosa, ética, científica, filosófica, artística, pedagógica, social, económica e política. Esse paradigma, intemporal e novíssimo, a descobrir e recriar, passa pela experiência da realidade como uma totalidade orgânica e complexa, onde todos os seres e ecossistemas são interdependentes, não podendo pensar-se o bem de uns em detrimento de outros e da harmonia global. Nesta visão holística da Vida, o ser humano não perde a sua especificidade, mas, em vez de se assumir como o dono do mundo, torna-se responsável pelo equilíbrio ecológico do planeta e pelo direito de todos os seres vivos à vida e ao bem-estar.

Herdando a palavra grega para designar o "Todo", bem como o nome do deus da natureza e dos animais, o PAN - Partido pelos Animais e pela Natureza - incarna esse paradigma na sociedade e na política portuguesas.

O objectivo deste blogue é divulgar e fomentar o debate em torno de contributos diversos, contemporâneos e de todos os tempos, para a formulação deste novo paradigma, nas letras, nas artes e nas ciências.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Para uma ciência integrada na matriz de uma nova cultura holística – breve reflexão

«Cultura, entendida na sua abrangência máxima, designa o conjunto de actividades pelas quais o homem concedeu a si próprio os meios de estabelecer com a natureza e com ele próprio uma relação livre e reflectida.»
Após breve meditação sobre um significado possível do que pode ser entendido como cultura, e tendo como objectivo com ela tentar relacionar a ciência, o postulado acima transcrito surgiu-nos como suporte adequado ao contributo que nos propusemos dar a este grupo do PAN. Assim, aqui ficam alguns apontamentos que julgamos poderem ser de utilidade na motivação que nos assiste ao deixarmos estas linhas: reflectir um pouco sobre uma ciência em harmonia com um novo paradigma holístico que tão urgentemente se impõe.

Reflexão primeira: Sobre a Ciência Sábia – a Ciência que lucidamente reconhece no desenvolvimento tecnológico desordenado uma fonte de sofrimento incalculável, porque agente de devastação dos recursos naturais e de degradação do meio ambiente. Há que dar voz a essa Ciência, que, não negando a sua quota-parte na responsabilização do presente estado do planeta, reconhece ainda que não basta melhorar as coisas, antes se impondo urgentemente uma mudança para um novo paradigma mental, ético, e civilizacional. Um novo modelo de abrangência tão vasta quanto o necessário para que nele brilhem e se reflictam todos os restantes re-ajustes focais – o da ciência inclusive – necessários à alteração profunda que se impõe. Há assim que dar permissão e força à Nova Ciência, para que oriente uma tecnologia ao serviço do bem comum e não do produtivismo e consumismo que se reforçam e exponenciam num crescente círculo infernal que vai devastando e absorvendo tudo ao seu redor. Mas para isso há que re-pensar os valores com que somos pensados, valores dos quais nem nos damos conta por neles nos encontramos mergulhados e também porque exploram as nossas vias de menor resistência. Há pois que abandonar as acções negligentes, motivadas por um auto-centramento egoísta que preguiçosamente se recusa a considerar a esfera mais alargada onde são perfeitamente percepcionáveis as infindáveis interacções com tudo e todos os que nos rodeiam. Há que despertar para um novo paradigma, mais exigente, certamente, mas onde as acções orientadas para o bem comum – dos animais humanos e não-humanos, e do meio ambiente de cuja harmonia ecológica todos dependem – produzirão o fruto de uma humanidade mais integrada, sabedora e realizada. Há que ver para além dos muros da família, do clã dos amigos, do grupo de conhecidos. Que a refracção da Luz do Sol interno brilhe nas necessidades desses outros, humanos e não humanos, companheiros menos afortunados no experienciar das contingências terrenas. Apostemos na eliminação do sofrimento dos nossos semelhantes e não-semelhantes. Demos espaço ao afã da cooperação, à febre benéfica da solidariedade tendente a eliminar os vírus da pobreza, da opressão e da exclusão – opressão e exclusão de raça, género e espécie. Assim, urge fazer escolhas conscientes e urge dar lugar a uma Ciência cujas raízes, alimentando-se do par intuição-razão, assegurem o desenvolvimento de acções que constituam estruturas fortes e adequadas ao florescimento de uma vida sustentável, a Vida.

1 comentários:

António Caldeira disse...

Subscrevo cada palavra, parabéns Angela Santos, com portuguesas Maiores nós conseguiremos. Durante alguns anos senti-me exilado no meu país, é com grande emoção que "descubro" pessoas Inteiras

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