PAN - UM NOVO PARADIGMA

Vivemos o fim de ciclo de um paradigma civilizacional esgotado, o paradigma antropocêntrico, cuja exacerbação nos últimos séculos aumentou a devastação do planeta, a perda da biodiversidade e o sofrimento de homens e animais. Impõe-se um novo paradigma, uma nova visão/vivência da realidade, ideias, valores e símbolos que sejam a matriz de uma nova cultura e de uma metamorfose mental que se expresse em todas as esferas da actividade humana, religiosa, ética, científica, filosófica, artística, pedagógica, social, económica e política. Esse paradigma, intemporal e novíssimo, a descobrir e recriar, passa pela experiência da realidade como uma totalidade orgânica e complexa, onde todos os seres e ecossistemas são interdependentes, não podendo pensar-se o bem de uns em detrimento de outros e da harmonia global. Nesta visão holística da Vida, o ser humano não perde a sua especificidade, mas, em vez de se assumir como o dono do mundo, torna-se responsável pelo equilíbrio ecológico do planeta e pelo direito de todos os seres vivos à vida e ao bem-estar.

Herdando a palavra grega para designar o "Todo", bem como o nome do deus da natureza e dos animais, o PAN - Partido pelos Animais e pela Natureza - incarna esse paradigma na sociedade e na política portuguesas.

O objectivo deste blogue é divulgar e fomentar o debate em torno de contributos diversos, contemporâneos e de todos os tempos, para a formulação deste novo paradigma, nas letras, nas artes e nas ciências.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

"Sou tudo o que foi, é e será"



"Sou tudo o que foi, é e será, e jamais algum mortal levantou o meu véu" [inscrição na estátua de Ísis, em Saïs, no Egipto]
- Plutarco, Ísis e Osíris, 9, 354 c.

"Um deles aí chegou - levantou o véu da deusa de Saïs. Mas que viu ele? Viu maravilha das maravilhas! - ele mesmo"
- Novalis, Os discípulos em Saïs, Paralipómenos, 2, Petits écrits, tradução e introdução por G. Bianquis, Paris, 1947, p.257.

Ísis foi assumida na tradição ocidental como uma figura da Natureza. Quem lhe ergue o véu e se vê a si mesmo transcende a condição mortal? E quem a viola, como a civilização prometeica contemporânea?

0 comentários:

Enviar um comentário