PAN - UM NOVO PARADIGMA

Vivemos o fim de ciclo de um paradigma civilizacional esgotado, o paradigma antropocêntrico, cuja exacerbação nos últimos séculos aumentou a devastação do planeta, a perda da biodiversidade e o sofrimento de homens e animais. Impõe-se um novo paradigma, uma nova visão/vivência da realidade, ideias, valores e símbolos que sejam a matriz de uma nova cultura e de uma metamorfose mental que se expresse em todas as esferas da actividade humana, religiosa, ética, científica, filosófica, artística, pedagógica, social, económica e política. Esse paradigma, intemporal e novíssimo, a descobrir e recriar, passa pela experiência da realidade como uma totalidade orgânica e complexa, onde todos os seres e ecossistemas são interdependentes, não podendo pensar-se o bem de uns em detrimento de outros e da harmonia global. Nesta visão holística da Vida, o ser humano não perde a sua especificidade, mas, em vez de se assumir como o dono do mundo, torna-se responsável pelo equilíbrio ecológico do planeta e pelo direito de todos os seres vivos à vida e ao bem-estar.

Herdando a palavra grega para designar o "Todo", bem como o nome do deus da natureza e dos animais, o PAN - Partido pelos Animais e pela Natureza - incarna esse paradigma na sociedade e na política portuguesas.

O objectivo deste blogue é divulgar e fomentar o debate em torno de contributos diversos, contemporâneos e de todos os tempos, para a formulação deste novo paradigma, nas letras, nas artes e nas ciências.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Afinal o esclavagismo não acabou?



"Dado que [...] nenhuma destas práticas faz mais que servir os nossos prazeres gustativos, a nossa prática de criar e matar outros animais para os comermos é um exemplo claro do sacrifício dos interesses mais importantes de outros seres à satisfação de interesses triviais nossos. Para evitar o especismo, temos de acabar com esta prática - e cada um de nós tem a obrigação moral de deixar de apoiá-la. Os nossos hábitos dão à indústria da carne todo o apoio de que esta precisa. A decisão de deixar de dar esse apoio pode ser difícil, mas para um branco sulista não teria sido mais fácil ir contra as tradições da sua sociedade e libertar os seus escravos. Se não mudarmos os nossos hábitos alimentares, como poderemos censurar esses proprietários de escravos que não mudariam a sua forma de viver?"

- Peter Singer, "Todos os animais são iguais", Os animais têm direitos? Perspectivas e argumentos, organização e tradução de Pedro Galvão, Lisboa, Dinalivro, 2011, p.37.

Afinal parece que o esclavagismo não acabou e que muitos de nós são esclavagistas activos...

Apresentarei este importante livro no dia 8 de Fevereiro, às 18.30, na FNAC - Chiado.

4 comentários:

Kunzang Dorje disse...

Somos esclavagistas e até diria mais - escravos do nosso próprio esclavagismo. Julgo que faz parte do novo paradigma uma revolução contra a escravatura, da qual somos autores e vítimas. Lutemos pela liberdade!

cristina disse...

Mudou apenas o aspeto físico das vítimas. Gosto muito de ver a Filosofia ao serviço de um mundo novo.
Obrigada

Mariana aires disse...

Acrescentaria que os que não são esclavagistas activos convivem e compactuam com essa actividade. Vejo um movimento muito grande neste mundo virtual, em especial no facebook, de protecção, adopção e denúncias relativas aos animais domésticos. A sensíbilização a esta temática pode talvez ser feita por aí...se tentarmos imaginar os animais que tanto estimamos sujeitos ao tratamento que damos aos que consumimos, perderíamos talvez o apetite. Porque acho que o argumento principal para o boicote ao consumo da carne,para sensibilizar os que estão menos abertos a estas questões pode inclusivamente ser a questão da saúde pública- a carne não é um alimento saudável. Quero com isto dizer que todos os meios argumentativos ao nosso alcance justificam o fim, se a questão ética não funciona, venham então o colestrol, os antibióticos...

Paulo Borges disse...

Perfeitamente de acordo, Mariana!

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